Regulamentação

O Desejo da Regulamentação

A regulamentação da Podologia no Brasil é uma das prioridades da ABP - Associação Brasileira de Podólogos, desde a sua fundação em 1964. E, a cada ano que passa, ela torna-se necessária para garantir a segurança e a qualidade da assistência podológica no nosso país.

 

Devido aos trabalhos da ABP e à divulgação da assistência podológica de maneira em geral, aumentou a procura desse serviço. Por conta dessa demanda, começaram a surgir cursos livres oportunistas e pessoas leigas no atendimento a pacientes, inclusive o de diabéticos.

 

A regulamentação da profissão, a criação de conselhos fiscalizadores e a elevação da profissão a nível superior  são necessárias para que a assistência podológica melhore a qualidade de vida das pessoas e não seja a causadora de maiores complicações de saúde para seus utentes.

 

A assistência podológica é uma lacuna na assistência à saúde e que, aos poucos, está sendo preenchida por profissionais devidamente habilitados em cursos específicos, conforme determina a portaria 16/68 do SNFMF. 

 

Por conta dessa capacitação, vê-se cada vez menos a necessidade de onicoectomia, cantoplastia e operação de helomas, sem mencionar os inúmeros casos de pés amputados por conta de procedimentos empíricos efetuados por profissionais sem conhecimento teórico sobre o assunto.

 

Atualmente, no campo de atuação aos portadores de Diabetes, muitos consultórios de Podologia trabalham em estreita colaboração com médicos da especialidade, e profissionais que já se habilitaram academicamente já dispõem mesmo de equipamento de ponta como laserterapia e hidrozônioterapia para o acompanhamento de complicações podais.

 

A Diretoria da ABP e também a população que procura assistência podológica pede URGÊNCIA para que o Congresso Nacional aprove o projeto PL 6042/2005, e que a Presidente o sancione.

 

 

O conflito de interesses...

Apesar de termos um ótimo relacionamento e colaboração junto de muitos profissionais da saúde, e de continuarmos recebendo e encaminhando pacientes às devidas especialidades, constatamos ao longo de nossa luta um agregado de profissões que, através de seus Conselhos Federais - Medicina, Fisioterapia e Enfermagem -, hostilizam os Podólogos e são ativamente contra a nossa regulamentação. Insistem em subestimar a capacidade dos Podólogos em aprender a entender o pé e suas complexidades.

 

Muito claramente, pelo fato de os podólogos ainda estarem associados à profissão de embelezador de pés (pedicures) e ter grande parte de seu continente pessoal trabalhando em Shopping Centers e em salões de beleza, haja essa subestimação da categoria.

 

O que não se sabe é que já tem havido um esforço supremo para que o nível de formação cumpra com determinadas premissas e condicionantes, para estarmos à altura das exigências com as quais nos confrontamos todos os dias.

 

O que muitos profissionais da saúde se negam a crer é no fato de que, se em grande parte dos casos os seus pacientes já têm um diagnóstico de sua saúde e sabem do seu quadro clínico diabético, em outros essa constatação é feita dia-a-dia em atendimento de podologia.

 

O podólogo hoje já começa a estar capacitado para entender a complexidade sistêmica da Diabetes através da examinação primária e não invasiva (testes de sensibilidade sensorial, térmica, dor e tátil) e de já poder encaminhar adequadamente seu cliente à especialidade.

 

Vale lembrar que outras profissões passaram pela mesma problemática, tais como os fisioterapeutas, que eram mal vistos pelos ortopedistas, e hoje trabalham em estreita colaboração e mesmo sob sua recomendação. Temos os médicos homeopatas que também tiveram que lutar para ter seu lugar ao sol, assim como os quiropráticos.

 

Convidamos os colegas e toda a sociedade brasileira para acompanharem a tramitação do  projeto na CCJC.

 

A Diretoria da ABP, junto com outros colegas de profissão, estão acompanhando e fazendo permanente contato com os deputados da Constituição, Justiça e de Cidadania.

 

Podólogo não é médico, não diagnostica enfermidades. Apenas reconhece anomalias sistêmicas do corpo que se originam ou culminam nos pés. Ele encaminha seu cliente adequadamente à respectiva especialidade médica.

 

 

Se a profissão de "Calista" já está solidamente regulamentada há tantos anos, por que agora essa reivindicação de regulamentação da Podologia?

 

Muito simples. Por que já não somos somente calistas nem embelezadores de pés. Ao longo de décadas, a profissão de calista foi dando lugar à de "pedicure". Muitas gerações de pedicures sustentaram e ainda sustentam suas famílias com essa profissão. A atividade de Podologia surgiu para, primeiramente, substituir a do calista, ao mesmo tempo que veio sistematizar o tratamento dos pés enquanto área da saúde.

 

A profissão de podólogo já está devidamente encaixada no código de atividades do Ministério do Trabalho. Porém, para que possamos atuar no mercado em outras esferas, é necessário o aval do Ministério da Saúde e todos os órgãos e entidades a ele subordinados.

 

E essa necessidade veio da prática. O podólogo desde sempre enfrenta situações em seu quotidiano que exigem mais conhecimento teórico, tanto na parte sistêmica quanto na sanitária, daí a profissão inicialmente ter sido exercida por enfermeiros-pedicuros.

 

Com os Técnicos e à seguir os Tecnólogos tendo assumido essa competência, os enfermeiros insurgiram-se contra nós, exigindo aquilo que dizem ser de sua competência: o tratamento podológico de clientes com complicações clínicas.

 

 

O que fazer contra esse lobbismo dos enfermeiros?

Primeiramente, temos de deixar claro na sociedade quem tem competência para o quê. O enfermeiro estuda Enfermagem, podólogo estuda Podologia.

 

Em outra metáfora, podemos ver que o Advogado e o Juíz estudam Direito, porém têm competências diferentes.

 

Se, por um lado, o enfermeiro passa mais tempo estudando aspectos da saúde, por outro NÃO ENTENDE DE PÉ. Nem anatomicamente, nem fisiologicamente, nem patologicamente.

 

O Podólogo, consoante sua formação, estudou disciplinas que lhe permitem um entendimento multidisciplinar em Nutrição, Processos Biológicos Básicos, Agressão e Defesa, Princípios de Farmacologia, Podogeriatria, Complicações em Pé Diabético, Podoposturologia, Biomecânica, Processos de Inflamação, Infecção e Cicatrização, entre outras coisas. Sem contar que a atual grade acadêmica, onde todos os princípios básicos que haviam sido aprendidos na Graduação Tecnológica foram aprofundados no Bacharelado. (Ver grade acadêmica).

 

 

Honestamente, dá para comparar...?!?

A seguir, a pressão de outras áreas da saúde nos impõe mais conhecimento teórico, ou seja, mais quantidade de horas de formação e muito mais conteúdo do que até então tem sido ministrado pelos CURSOS TÉCNICOS.

 

Dito de outra forma, é como se estivéssemos dentro de uma correnteza, sendo levados para onde a força das águas nos obriga a ir. SE NÃO ELEVARMOS O NÍVEL DO NOSSO  CONHECIMENTO TEÓRICO-PRÁTICO, CORREMOS O RISCO DE PERDER A NOSSA AUTONOMIA ENQUANTO PODÓLOGOS.

 

Ou seja, a ter em conta o que tem sido feito para a "destronar" o podólogo da sua profissão, não nos resta outra opção senão a de impormos outro ritmo de avanço na nossa formação.

 

Essa imposição gera algum desconforto dentro da nossa própria classe, pois pressupõe erroneamente uma fragmentação dos profissionais entre os que "são e querem permanecer TÉCNICOS", e os que optam por avançar mais e alcançar a GRADUAÇÃO ACADÊMICA.

 

O que falta então para avançarmos na regulamentação e para fazermos respeitar a nossa profissão?

 

Hoje o nosso braço de ferro centra-se nas seguintes questões:

 

Capacitação profissional dos futuros Podólogos

Já dispomos de duas Universidades que já têm sua grade curricular voltada para o estudo acadêmico aprofundado da Podologia enquanto área da saúde, ou seja, graduação em Bacharelado.

Unificação da classe

Através do associativismo - sem uma Associação que a represente, a Podologia não tem como fazer ouvir suas reivindicações; A ABP reaparece em cena com uma proposta bem concreta e objetiva, com uma nova Diretoria capacitada profissionalmente para fazer face aos novos desafios.

Revisão da redação corrente da PL 6042/2005

Para a sua correta adequação aos padrões exigidos pelos parlamentares em nossa ultima reunião em Brasília no dia 23 de maio de 2013  - Acompanhe aqui a evolução do processo.